Por trás dos dias ruins

Tempestade se formando no mar

Tem dias que a gente acorda meio assim, sabe? Sem levar fé que só o fato de acordar já é uma benção. A gente até pede a Deus que releve nossa ingratidão momentânea, e que nos faça esquecer todas as outras coisas por aí a fora que estão tirando nossa paz, e empurra o dia vida a dentro.

Eu mesma já tive épocas que assistir um simples jornal de quinze minutos me fazia mal, bagunçava o meu bem estar, então preferia não faze-lo, me fechava na minha bolha particular e vivia meu mundo longe de tudo e de todos. Também não fazia por indiferença ou ingratidão, era só pra me proteger mesmo.

O Kadu me diz que sou sensível demais e que sinto a dor do outro por inteiro. Eu concordo com ele, e digo que isso é bom e ruim.

Bom, porque faz com que eu me coloque no lugar do outro, e pense com mais clareza sobre como posso ajudar, nem que seja só com um olhar de carinho, ou um abraço rápido, que disfarço, preocupada que pense que estou expondo sua fragilidade.

E ruim, porque muitas vezes me dói na alma, e passo a ter um problema que não deveria ser meu, e que me faz ter dias cinzas mesmo sabendo que isso não vai ajudar quem de fato está precisando de colo ou de salvação. Mas por mais que eu queira, eu não sei mudar isso. Essa sou eu!

Sempre ouvi de diversas pessoas, ao longo da vida, que eu deveria ser psicóloga, que sei observar, sei argumentar e aconselhar, sei dar clareza aquilo que está confuso (sejamos claros, isso sempre para os outros, nunca pra mim mesma), mas minha resposta pronta sempre foi: “Não conseguiria, eu sofreria junto com o paciente. Não saberia lidar com as dores das pessoas e depois ir pra casa ser feliz.”

Mas aí, eu descobri outra forma de ajudar a mim e aqueles que precisam: eu escrevo.

Escrevo porque tenho uma necessidade urgente de me expressar. Escrevo para expurgar minhas alegrias e dores, despir quem sou, sem puderes, remorsos ou vergonhas. Escrevo porque dou valor ao “ser” e porque gosto de falar da vida. Escrevo pra que atinja alguém que possa se identificar e, de repente, encontrar por ora, a tranquilidade que nós tanto precisamos. Escrevo porque do mesmo jeito que sinto a dor do mundo assistindo um jornal, sinto a alegria de compartilhar com as pessoas das pequenas sensações da vida, que muitas vezes nos faz transbordar de uma forma que nem sabemos explicar.

Esse é meu jeito de fazer terapia em mim, e em todos aqueles que sintam-se a vontade em dividir comigo das belezas e experiências da vida.

O que tudo isso tem a ver com os dias ruins?

Talvez nada. Talvez tenha começado com uma frase avulsa que foi se desenrolando sozinha, como se eu matracasse sem pensar muito, como se quisesse apenas conversar sobre as coisas da vida. E mesmo tudo, ou nada, fazendo sentido e sabendo que desejamos apenas os dias bons, uma coisa eu sei: os dias ruins servem pra olharmos e cuidarmos de nós mesmos, cada um com suas próprias formas de escape e superação, cada um com suas formas de alegria, cada um levando o tempo que for preciso.

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